Decreto regulamenta ensino de alunos com altas habilidades

27 abr

Entre outras coisas, texto prevê formação continuada de professores que trabalham com estudantes superdotados

A lei que garante educação especializada aos alunos de Brasília identificados com altas habilidades e superdotação, de 24 de julho de 2014, ainda não havia sido regulamentada. Com o decreto assinado pelo governador Rodrigo Rollemberg e publicado hoje (24) no Diário Oficial do Distrito Federal, a modalidade ganha força e pode passar por melhorias.

“O decreto valida nossa atividade e proporciona uma atuação mais ampla, acabando com uma série de fragilidades”, explicou a chefe do Núcleo de Altas Habilidades e Superdotação da Secretaria de Educação, Viviane Calce de Moraes. De acordo com ela, boa parte do conteúdo especificado na regulamentação já vem sendo adotado, mas necessita de aprimoramentos.

A grande novidade são cursos de formação continuada aos profissionais que atendem esses alunos. De acordo com o decreto, a capacitação deverá ser oferecida pela Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape). Viviane conta que a secretaria está tentando fechar parceria com a Universidade de Brasília para que seja oferecido um curso de extensão na área aos professores interessados.

Já entre os pontos que devem ser aprimorados, a chefe do núcleo destaca o atendimento à educação infantil, atualmente pouco beneficiada pelo processo. De acordo com a regulamentação, a inclusão dos estudantes com altas habilidades deve começar ainda na educação básica, seguindo as necessidades de cada um. O número de salas de recursos específicos — onde os alunos trabalham, no contraturno da aula, aptidões individuais — também pode aumentar, na visão dela: “Acredito que, no futuro, possamos multiplicar esses espaços, principalmente para atender de forma mais atuante a educação infantil.”

Também está prevista no decreto a manutenção dessas salas de recursos. Atualmente, a rede pública conta com 20 delas, distribuídas em 15 regiões administrativas. O atendimento é feito a estudantes de escolas públicas e particulares. Cada turma tem à disposição uma equipe multidisciplinar, composta por professor especializado, professor itinerante e psicólogo. O profissional itinerante é quem explica como identificar uma pessoa superdotada. Ele ainda realiza a triagem dos estudantes encaminhados pela família, escola ou por autoindicação.

Precursora
Brasília é percursora do atendimento educacional especializado em altas habilidades. A modalidade é oferecida desde 1976, muito antes da criação da lei. Os alunos indicados como superdotados podem ter habilidades acadêmicas ou artísticas. São oferecidas atividades como pintura em tela, montagem e programação de robôs e orientação para escrita de livros.

Mas o atendimento feito pela Secretaria de Educação aos superdotados vai além. Os alunos têm acesso a material didático especial. Isso faz com que, dependendo de alguns de fatores, esses estudantes tenham a possibilidade de avançar séries.

São atendidos 1.573 alunos superdotados na rede, em salas espalhadas por escolas da Asa Norte, de Brazlândia, de Ceilândia, do Cruzeiro, do Gama, do Guará, do Lago Norte, do Núcleo Bandeirante, de Planaltina, de Samambaia, de São Sebastião, de Sobradinho, de Taguatinga e do Varjão.

II FÓRUM DE GESTORES DO RECANTO DAS EMAS

25 abr

Convite Def (1)

” A educação è comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas Continuar lendo

INFORMATIVO E AÇÕES DESENVOLVIDAS PELO CRAI DO RECANTO DAS EMAS

24 abr

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CAMINHOS E DESAFIOS DO CENTRO DE REFERÊNCIA PARA OS ANOS INICIAIS – CRAI RECANTO DS EMAS

24 abr

                No III Fórum da Coordenação de Ensino Fundamental – COENF/ Núcleo dos Anos Iniciais – NUANIN, apresentamos nosso trabalho com o objetivo de compartilhar as ações desenvolvidas por esta equipe no período de fevereiro a abril do corrente ano.

Enfatizamos o tripé: acompanhamento, formação e integração. Continuar lendo

VISITA DO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO AS UNIDADES DE INTERNAÇÃO DO RECANTO DAS EMAS

24 abr

   O Secretário de Educação, Júlio Gregório Filho, visitou a UNIRE (Unidade de Internação do Recanto das Emas) e a UNISS (Unidade de Internação de Saída Sistemática) no dia 23 de abril, com o objetivo de conhecer as unidades de internação para melhor atender as suas necessidades. O Secretário Júlio Gregório, foi o primeiro Secretário de Educação a visitar oficialmente Unidades de Internação no Distrito Federal.

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Da direita para a esquerda: Marcos Antônio (Coordenador da CRE do Recanto das Emas), Júlio Gregório (Secretário de Educação do DF), Rose Meire (Supervisora Pedagógica da UNIRE), Francisco Eloi (Professor) e Daniele Gomes (Professora)

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PORTARIA DO CENTRO DE REFERÊNCIA PARA OS ANOS INICIAIS – CRAI

22 abr

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO

PORTARIA N° 51, DE 20 DE ABRIL DE 2015

Dispõe sobre a organização e funcionamento dos Centros de Referência para os Anos Iniciais – CRAI – do Ensino Fundamental da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal e dá outras providências.

O SECRETÁRIO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 105, parágrafo único, incisos I e III, da Lei Orgânica do Distrito Federal, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, na Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005, na Lei nº 3.483, de 25 de novembro de 2004, no Decreto nº 25.619, de 01 de março de 2005; considerando a urgência de uma ação direcionada para as aprendizagens dos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, na perspectiva da alfabetização, letramentos e ludicidade e com vistas à democratização dos saberes; considerando a organização e funcionamento dos Centros de Referência para os Anos Iniciais (CRAI); considerando a ampliação da organização escolar em ciclos para os 4º e 5º anos, conforme orientações das Diretrizes Pedagógicas do 2º Ciclo para as Aprendizagens – Bloco Inicial de Alfabetização (BIA) e 2º Bloco (4º e 5º anos), RESOLVE: Art. 1º Fica(m) instituído(s) o(s) Centro(s) de Referência para os Anos Iniciais (CRAI), vinculado(s) a cada Coordenação Regional de Ensino/Gerência de Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEDF). Continuar lendo

Vale a pena recompensar bons alunos com dinheiro? E você, o que pensa? Deixe a sua opinião.

14 abr

Para defensores, incentivos associados à formação de docente podem dar bons resultados; contrários argumentam que aluno tem de ter prazer em aprender, independentemente de prêmio

Até onde uma escola pode ir para motivar seus estudantes a aprender? Nos Estados Unidos, alguns colégios têm recompensado seus melhores alunos com dinheiro.

Desde 2008, 620 escolas americanas já receberam recursos de um programa gerido pela ONG National Math and Science Initiative (NMSI) para premiar financeiramente estudantes que tiram boas notas em provas nacionais de Ciências, Matemática e Inglês.

A iniciativa busca encorajar mais alunos a realizar os testes AP (“Advanced Placement”, ou colocação avançada), que medem o conhecimento dos alunos sobre temas do currículo universitário e contam pontos para o ingresso na faculdade.

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“Antes não tínhamos motivos para estudar, e muitos professores simplesmente não se importavam com as aulas. O dinheiro nos dá um incentivo concreto para fazer a lição de casa”, diz à BBC Brasil Zebediah Cottongim, 16 anos, aluno do penúltimo ano do Ensino Médio da Colonial Forge High School, uma das três escolas públicas do Condado de Stafford (Estado de Virgínia) a integrar o programa.

O programa é uma entre diversas iniciativas adotadas por centenas de escolas americanas na última década, que envolvem remuneração a estudantes e professores. Algumas receberam financiamento estatal; outras, de fundações ou entidades privadas. Nem todas as iniciativas funcionaram, e críticos alegam que o método monetariza o ensino e faz os alunos focarem demais nos testes e na recompensa em vez de despertar seu interesse genuíno pelos estudos.

Defensores e alguns pesquisadores argumentam que, se os incentivos forem bem executados e estiverem associados a outras iniciativas – sobretudo treinamento de professores e acompanhamento dos alunos -, eles podem dar bons resultados.

Pizza e vale-presente

A BBC Brasil visitou a Colonial Forge High School na semana passada. O prédio de tijolos vermelhos, cercado por estacionamentos, se destaca na paisagem de construções espaçadas e largas avenidas.

As provas AP são opcionais e podem ser feitas a partir do primeiro ano do Ensino Médio. Cada exame, que cobre uma única disciplina, custa US$ 91 (R$ 284).

Os alunos de escolas cadastradas no programa NMSI pagam a metade do valor da prova e recebem US$ 100 (R$ 311) cada vez que obtêm nota superior a 3 (em uma escala de 1 a 5) nos testes de Ciências, Matemática e Inglês.

'O dinheiro nos dá um incentivo concreto para fazer a lição de casa', diz Zebediah Cottongim
BBC

‘O dinheiro nos dá um incentivo concreto para fazer a lição de casa’, diz Zebediah Cottongim

No ano passado, Zebediah foi aprovado em duas provas e recebeu US$ 200 (R$ 622). Ele diz ter gastado parte do dinheiro com comida e gasolina (nos Estados Unidos pode-se dirigir a partir dos 16).

Sua colega Elizabeth McPherson, 16 anos, fará neste ano quatro provas AP e espera receber US$ 400 (R$ 1.250) pelo programa. O dinheiro, diz ela, será entregue aos pais e depositado na poupança para a sua faculdade.

Para a jovem, que quer cursar Astronomia, outro incentivo do programa são os mimos que os alunos recebem ao assistir a aulas nos fins de semana. Nesses dias, há pizza na escola e eles ganham vales-presente de US$ 5 a 20 da Amazon.

‘Conteúdos mais rigorosos’

Desde que a iniciativa começou a vigorar, em 2012, o número de provas AP feitas por alunos do colégio passou de 886 para 1.371 ao ano, alta de 55%. Em todas as escolas do Estado de Virgínia, o total de testes AP realizados cresceu apenas 7% no mesmo período.

“O programa nos ajudou a ampliar a exposição dos estudantes a conteúdos mais rigorosos”, diz Kenya Wallach, supervisora de Matemática e Ciências do Departamento de Instrução do Condado de Stafford.

Ela afirma que, motivados pela iniciativa, cada vez mais alunos têm se matriculado em disciplinas preparatórias para os exames, normalmente mais difíceis que as matérias normais (nos Estados Unidos, os estudantes têm relativa autonomia para montar suas grades e podem optar por aulas mais ou menos avançadas).

Elizabeth espera receber US$ 400, que serão depositados na poupança para a sua faculdade
BBC

Elizabeth espera receber US$ 400, que serão depositados na poupança para a sua faculdade

Esses jovens, diz ela, deixam o Ensino Médio mais preparados e bem posicionados para entrar em boas universidades. Segundo Wallach, hoje quase 90% dos estudantes que se graduam na escola seguem para Ensino Superior, número ligeiramente maior ao registrado antes do programa.

Mas os resultados observados em Virgínia não necessariamente se repetiram pelo país inteiro.

Em Washington, foi abandonado um programa que pagava US$ 100 quinzenais a estudantes em troca de boas notas, presença nas aulas e bom comportamento.

Segundo reportagem do jornal Washington Post, houve queixas de que alunos que não cumpriam os pré-requisitos acabaram sendo remunerados, e outros que seguiram as regras não receberam nada.

A conclusão da reportagem é de que problemas na execução do programa acabaram “aprofundando as disfunções na escola”, em vez de as reduzirem.

Em Nova York, outro programa, adotado na década passada, não aumentou o número de alunos aprovados nos testes AP.

Incentivos a professores

Diretores de escolas em Virgínia e organizadores do NMSI dizem que a recompensa financeira tem de ser parte de uma estratégia mais ampla, também voltada ao aprimoramento e à motivação dos professores.

“Os incentivos monetários por si só não bastam”, explica à BBC Brasil Gregg Fleisher, responsável acadêmico pelo NMSI.

“Usamos o dinheiro para animar os alunos a fazer as aulas. Alguns alunos não iam prestar os testes, mas acabam gostando (de seus avanços acadêmicos) e dizem ‘agora eu quero cursar Engenharia (na universidade)’. Mas os incentivos são aliados a um grande treinamento de professores, para que eles inspirem os alunos com a pedagogia adequada.”

O programa banca a ida de professores a um treinamento anual em que se encontram com docentes de todo o país. Nas reuniões, eles compartilham suas experiências e aprendem métodos de ensino bem-sucedidos. E professores de Ciências, Matemática ou Inglês recebem US$ 100 (R$ 311) por cada aluno seu aprovado nos testes AP.

Diretor da North Stafford High School, outra escola em Virgínia integrante do projeto, Tom Nichols diz que alguns professores de seu colégio aumentaram sua renda anual em até US$ 8 mil (R$ 24.900) com os pagamentos extras.

O montante equivale a quase um quinto do salário anual de um professor iniciante, o que os mantêm motivados, afirma Nichols.

Segundo o diretor, o estímulo aos professores tem impacto maior no programa que os pagamentos aos alunos. “Eles têm a oportunidade de aprender com os melhores de suas áreas e crescer na carreira.”

Custo-benefício

Pesquisas consultadas pela BBC Brasil confirmam que dão melhores resultados os programas que aliam as recompensas financeiras dos estudantes a incentivos e treinamento também aos professores.

“No longo prazo, vemos um bom custo-benefício financeiro se os programas forem focados em lugares pobres”, considerando que os eventuais ganhos salariais que esses alunos podem ter no futuro supera os custos do projeto, explica C. Kirabo Jackson, professor do Institute of Policy Research da Universidade Northwestern e pesquisador de programas de incentivos.

“Não está claro se os programas aumentam o número de alunos que conseguem entrar em faculdades, mas os que conseguem passam mais anos estudando e tendem a ganhar mais.”

Isso não impede que haja distorções. De volta à Colonial Forge High School, em Virgínia, o aluno do penúltimo ano do Ensino Médio Wudison Gomez, 17 anos, diz que sua principal motivação para fazer os testes AP é ganhar créditos para a faculdade, e não ganhar dinheiro. E ele faz críticas ao programa: “No dia em que (os estudantes) pararem de receber, eles vão perder o interesse em aprender”, opina.

Para a pesquisadora brasileira Paula Louzano, doutora em Política Educacional pela Universidade de Harvard, programas do tipo desestimulam “alguns valores queremos para os alunos, como ter prazer em aprender e se esforçarem independentemente (de pagamentos)”.

“Nenhum país que foi por esse caminho melhorou (a educação) sistematicamente. Países que são modelos de sucesso por ensinarem com alto grau de excelência, como o Canadá e os países nórdicos, não se baseiam nessa lógica de que falta esforço e de que pagando (professores e alunos) eles vão se esforçar. Se baseiam em uma relação de mais confiança com o docente”, diz ela.

Fleisher, do NMSI, argumenta que o dinheiro já faz parte da realidade dos jovens e que, em geral, os mais ricos já são recompensados por seu esforço.

Para Kirabo Jackson, os programas do tipo podem ser eficientes em melhorar o desempenho dos alunos e incentivá-los a estudar, desde que sejam projetados corretamente.

“O programa deve dar aos alunos metas que sejam factíveis e garantir que eles tenham ferramentas para atingi-las. Se você pagar os alunos por uma meta como ler mais livros, terá resultados ruins – porque é uma meta que pode ser manipulada e provavelmente os alunos não aprenderão nada. O incentivo deve ocorrer para pontos que sejam difíceis de serem melhorados se não houver um grande esforço (dos estudantes).”

Jackson também defende que os professores sejam recompensados e que os testes que meçam o desempenho sejam padronizados, para evitar manipulação.

Fleisher agrega que, cumpridos alguns pré-requisitos, o programa pode ser facilmente exportado para o resto do mundo. “O que aprendemos é que o professor é essencial para os resultados e que os incentivos funcionam, desde que você dê apoio extra aos alunos. Uma vez que os alunos veem os resultados do seu esforço, eles param de se esforçar apenas pelo dinheiro”, diz.

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